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Esperteza demais atrapalha

Esperteza demais atrapalha

06/12/2016 - 15:46

     Alguém acredita que aquela votação das medidas contra a corrupção na Câmara dos Deputados, toda arrumadinha, com partidos e nomes por trás de cada uma, nasceu de forma espontânea e de um dia para outro? Por parte.

     O Ministério Público Federal, com 2.4 milhões de assinaturas, apresentou as dez medidas contra a corrupção. Lorenzoni foi indicado relator na Câmara. Começou a espichar as medidas, tendia a aprovar a anistia a casos do Caixa dois.

     Gentes do MPF foram conversar com ele. Recua, dá entrevista que seguiria praticamente o que viera antes. Na CCJ se definiu que ficaria como estava, tudo seria decidido no plenário da Câmara. Fizeram até blague que na CCJ foi aprovado por 30 a zero.
     
     A reação contra anistiar crimes do Caixa dois cresceu. O Ministro da Cultura já havia atingido o governo Temer com uma denúncia. O presidente chama uma coletiva e leva a tiracolo os presidentes da Câmara e do Senado. Ali se fala que o  Caixa dois seria vetado, ou melhor, nem seria levada para a votação na terça feira na Câmara. Receberam elogios.

     Você acredita que os três não sabiam do esquema montado para o plenário da Câmara? Que o Lorenzoni também não sabia de nada? Que aquelas medidas todas aprovadas na madrugada de quarta feira passada foi tudo montado depois da coletiva?

     Os deputados espertamente usaram as medidas propostas pelo MPF para aprovarem medidas para manietar a Justiça. Todos concordam que deve ter algum limite à atuação de membros da Justiça, mas a Câmara errou na dosagem da punição e ainda desvirtuaram totalmente o que havia sido aprovado na CCJ.

     A coisa começou a complicar com a coletiva de membros do MPF falando em renunciar ao trabalho na Lava-Jato. Renan Calheiros, percebendo o buraco que surgia à frente, tentou votar no Senado aquelas medidas. Ação de quase desespero. À noite veio o panelaço e o recuo do Senado em aprová-las. Foi a salvação do Temer, senão teria que vetar, se veta tem o Congresso contra. Se não veta, o ‘fora Temer” cresceria.

     Os deputados erraram na dosagem das punições e no cerceamento de membros da Justiça. Das medidas aprovadas na CCJ só não mexeram em duas. Tinham que calibrar um pouco mais.

     Erraram também no momento. A Operação Mãos Limpas na Itália deixou passar o fuzuê junto à opinião pública para votaram medidas que livravam a cara dos parlamentares. Aqui votaram no auge da Lava Jato, em que a opinião publica não quer ainda que se mexa nisso.

     Poderiam deixar para votar aquelas medidas no ano que vem, depois que a Lava Jato diminuísse seu trabalho. E isso praticamente vai ocorrer depois do caso da delação da Odebrecht e a ação sair de Curitiba. Montaram um circo antes que desabou, vai atingir muitas reeleições em 2018. Povo na rua domingo vai gritar contra os deputados.

Fonte: Alfredo da Mota Menezes e-mail: pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com

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