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Ataque ao patrimonialismo

Ataque ao patrimonialismo

07/12/2016 - 14:40

     O Acordo de Leniência da Odebrecht deveria ser levado às salas de aulas de todo o país para se ver como se rouba de forma institucional no Brasil, como há uma ligação histórica entre o público e o privado. Um grupo no poder, junto com grupos empresarias, acham normal se apropriar de bem público.

     A Odebrecht distribuiu carta ao país em que, em dez itens, diz que praticou atos ilícitos, que não vai mais tolerar a corrupção e nem ser corrompida. Passaria a adotar princípios éticos no relacionamento entre agentes públicos e privados. Que vai contribuir para que mudem essas práticas nos mercados.

     E termina “nós queremos participar dessa ação, junto com outros setores, e mudar as práticas até então vigentes na relação público-privado, que são de conhecimento generalizado”. Ou seja, no Brasil se sabe que rouba por 500 anos em obras públicas, é generalizado, como diz a nota.

     A Odebrecht pediu por escrito desculpa ao país. No acordo, ela vai devolver, em 23 anos, 6.8 bilhões de reais, parte vai para a Suíça e EUA, onde ela errou também. Ela se compromete a não praticar mais atos ilícitos, se praticar uma vez que for estaria fora do mercado para sempre. Em contrapartida, as penas aos empresários corruptos podem cair de 1/3 a 2/3.

     Outras empresas, como Sete Brasil e Andrade Gutierrez (vai devolver um bilhão de reais) fizeram acordos de leniência. E fizeram todas aquelas promessas ali de cima, se não cumprirem estarão fora do negócio. Elas e a Odebrecht podem voltar a terem atuação normal, inclusive participar de concorrências públicas. Será que vamos ter em MT ou no país empresas que farão obras publicas honestas, de qualidade e sem propinas?

     É algo novo na história do Brasil, deveria se espalhar para todos os lugares, incluindo os abusos que ocorrem em MT com obras públicas. Empreiteiras, algumas de fundo de quintal, entregam obras ruins, metem a mão no dinheiro público, como se aquilo fosse a casa da mãe Joana. E se falar que o empreiteiro é corrupto fica magoado, se julgando injustiçado. Tenha a santa paciência.

     Será que no Brasil começa alguma coisa nova que possa quebrar a espinha dorsal do patrimonialismo? Aquela prática que nos acompanha por 500 anos, em que, como fala a nota da Odebrecht, se confunde o público e o privado? O rei de Portugal usava dinheiro público para extravagâncias pessoais, no Império também, veio a República e até hoje se confunde o público e o privado. Pensadores brasileiros, como Gilberto Freire, Sérgio Buarque de Holanda, Vitor Nunes Leal tratam disso.

     Por isso se deve dar força mais ainda aos investigadores da Lava Jato e outros casos porque se está diante de um fato histórico: tentar acabar a promíscua relação entre público e privado ou o patrimonialismo que teima em não nos deixar. Apareceu agora uma luzinha no fim do túnel.

Fonte: Alfredo da Mota Menezes e-mail: pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com

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