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Delações

Delações

01/10/2020 - 13:35

       A imprensa vem publicando partes dos depoimentos de Geraldo Riva em sua delação premiada. Não faz muito tempo veio a público também o que Silval Barbosa falou em sua delação. Não se pode fazer delação contando inverdades ou inventando coisas. A delação para valer deve ser verdadeira e com provas.

            Nas delações dos dois aparecem tantas coisas. Empreiteiras de obras públicas estão em quase todas. A obra já foi ganha por arrumações anteriores. Daí sairá um percentual para grupos políticos. No geral, se fala que é para pagar despesa de campanha eleitoral. Conversa fiada, a maior parte é para distribuir ao grupo.

             Com isso as obras públicas serão afetadas. No edital se pede tudo para uma obra de boa qualidade. Como se vai pagar a corrupção, a obra vai ser de segunda categoria. Ninguém tem preocupação nos governos em impedir isso porque é o que se pode fazer com o dinheiro que sobrou após a corrupção. Lá na frente se tem que refazer essa obra e se gasta mais dinheiro público.

            São contados casos de empreiteiras que tinham que receber um tal de dinheiro atrasado de governos anteriores. Aparecem gordas importâncias até da década de 1980. Dinheiro grosso, teve uma que recebeu 192 milhões de reais.

              Gentes do governo chamam essa ou aquela empreiteira para conversar. Diz que vai pagar, mas quer 50% para o grupo politico no poder. E a quantia a receber pela empresa é inflada com juros e correção monetária de anos. A fortuna para os dois lados aumenta. Os 50% da propina sai bem gordo.

            Falaram também do mensalinho na Assembleia Legislativa. O mensalinho é um dinheiro por fora para o deputado, além do salário, votar com o governo. Num governo eram dez mil reais por mês. Outro foi criativo: fazia um repasse extra para a Assembleia Legislativa, além do duodécimo, e ela pagava o mensalinho. Olha a força que adquiriu a presidência da Assembleia fazendo esses pagamentos. No governo Silval Barbosa já estava em 40 mil por mês.

            Nos depoimentos aparecem coisas jocosas. Numa delas os deputados exigiram do governador que pagasse o décimo terceiro do mensalinho. Décimo terceiro salário de uma corrupção, só Gabriel Garcia Marques com seu realismo fantástico para trazer coisas como essas.

            Em um caderno de notas de uma deputada estava uma oração escrita a mão. Ela rezava para que, no futuro, o santo protetor dela não permitisse mais que ela fosse corrompida. Não se sabe se o santo a ajudou. Confesso que não conhecia santo protetor de corrupção.

            O que impressiona nisso tudo é como os órgãos de controles externo e interno, mais Ministério Público ou mais o que for, nunca souberam nada disso? A rua sabia mais do que esses órgãos? Por que só depois da Lava Jato a coisa mudou um pouco?

Fonte: Alfredo da Mota Menezes e-mail: pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com

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