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História e fantasia num relacionamento

História e fantasia num relacionamento

26/11/2020 - 18:57

 A história da relação dos EUA com a América Latina mostra que nunca houve nenhum efetivo relacionamento entre um presidente norte-americano e um latino-americano. Acreditar que isto exista entre Donald Trump e Jair Bolsonaro é não entender a história das duas bandas da América. E, para a maior parte dos norte-americanos, não existe diferença entre países, a América Latina é vista em bloco, como, aliás, brasileiros olham para África.

             Há uma crença nos EUA de superioridade sobre a América Latina desde os primeiros contatos entre essas duas Américas no século 19. Acreditavam até que uma religião era superior à outra. Os contatos iniciais com os mexicanos na fronteira foi o momento da conquista dos índios nos EUA. Associam os dois povos e essa crença espalha sobre a América Latina.

             Um pouco da história. Criam a Doutrina Monroe (1823), um recado para a Europa de que os EUA eram soberanos na área. Mais tarde apareceu o corolário a essa doutrina ou era intervencionista, com a política do big stick se deveria conversar e orientar o latino-americano e, se complicasse, que lhe desse uma cacetada.

            Com a depressão econômica naquele país e os tambores da segunda guerra no horizonte, nasce a política da Boa Vizinhança (1933). Que não haveria mais invasões, seria um novo tempo. Tudo caminhou sem atos mais fortes até depois da Guerra. 

            Começa a Guerra Fria e os EUA, preocupados com sua retaguarda, acentuado mais ainda depois da crise dos misseis em Cuba em 1962, partem para o confronto com a União Soviética na área. Aproximam dos militares, aparecem as muitas ditaduras.

            Terminada a Guerra Fria os EUA praticamente abandonam a região. Alguns assuntos ainda tomam a atenção do país mais ao norte: imigração, drogas e meio ambiente. 

             Não se vê, em nenhum momento da relação dos EUA com a América Latina, alguma ligação maior com presidentes locais. Acreditar que um presidente dos EUA vai ter deferência especial com o de um país latino-americano é não entender a história desse relacionamento nada igual. 

               Apareceu no momento outro fato que atraiu a atenção dos norte-americanos na América Latina: a China. Este país, no ano 2000, tinha um comércio de 12 bilhões de dólares com a área, chegando agora a mais de 300 bilhões. Como exemplo, segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, entre 2010-19, o Brasil teve um superávit comercial com aquele país de 137 bilhões de dólares.

             Desde 2005 a China emprestou para a América Latina perto de 150 bilhões de dólares, mais do que emprestaram, juntos, o Banco Mundial e o BID no mesmo período. A China também já investiu cerca de 380 bilhões de dólares em infraestrutura, principalmente na América do Sul. Além de oferecer um mercado acima de 1.3 bilhões de pessoas. 

             Frente a esse novo contendor, como ocorreu em outros momentos da história, virão novos acenos e deferências por parte dos EUA, mas não amizade pessoal entre este e aquele presidente. Perdem votos quem assim agir.

Fonte: Alfredo da Mota Menezes, e-mail: pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes. com.br

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