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Biografia

Elvis Presley - Parte I

Elvis Presley - Parte I

Primeiros Anos

Elvis Aaron Presley nasceu sob circunstâncias muito pobres, em uma humilde casa na cidade de East Tupelo (East Tupelo seria agregada mais tarde à cidade de Tupelo, formando assim uma única cidade), Estado do Mississippi, no dia 8 de Janeiro de 1935 às 04h35h.

Elvis foi o sobrevivente de um difícil parto de gêmeos, aonde seu irmão idêntico Jesse Garon foi natimorto. Depois deste traumático parto, Gladys não pôde mais engravidar e ter filhos. Elvis viria a ser então o único filho do casal Gladys e Vernon.

Desde cedo, a mãe incutiu na cabeça do filho que quando um de dois gêmeos morre, o que sobrevive herda toda a força do que se foi. No respeito à crença da mãe, Elvis adotou a personalidade dos dois. Por outro lado, Elvis sempre acreditou que poderia se comunicar com seu irmão Jesse - e assim pensava fazê-lo (ou realmente o fez!) durante várias ocasiões até seus últimos dias de vida. Não raro, quando criança, Elvis ia até o pequeno túmulo de Jesse Garon em um cemitério de Tupelo e ficava ali sentado por horas "conversando" com seu irmão. Às vezes Elvis ia até um lago vizinho ao cemitério e conversava com seu reflexo, como se fosse com o próprio irmão.

Na verdade, Elvis foi uma criança muito solitária.

Na pequena cidade do interior dos EUA, ele aprendeu com a mãe e o pai a ser respeitoso sob todos os aspectos, independentemente da idade, origem étnica, sexual e/ou sócio-econômico-financeiros envolvidos.

Além da derrocada financeira de 1929 com a quebra da Bolsa de NY, que assolou o país - em seus primeiros anos de vida, Elvis cresceu em meio aos destroços de um furacão que devastou sua cidade no dia 5 de abril de 1936.

Esse triste fato ocasionou uma união entre brancos e negros, que deixaram de lado por algum tempo o conflito racial, tudo em prol da reconstrução da cidade. Vale lembrar que o Estado do Mississipi na época era o centro do racismo americano.

Em parte de sua primeira infância, Elvis esteve privado da figura de seu pai, preso em 1937, juntamente com o irmão de Gladys, por estelionato.

Somando-se a isso, a família foi despejada de sua moradia. Gladys e Elvis tiveram que se mudar e foram morar com os pais de Vernon por algum tempo. Vernon seria libertado no ano de 1941.

O vínculo entre filho e mãe a esta altura era algo muito forte e que fazia com que Elvis e Gladys fossem muito apegados um ao outro. Elvis tinha um amor incondicional por sua mãe. A morte precoce de sua mãe em 1958 o afetaria pelo resto de seus dias.

Desde seus primeiros anos de vida, Gladys e Vernon levavam o pequeno Elvis a freqüentar a Igreja da Assembléia de Deus - o que influenciou muito em sua formação pessoal e musical também.

Em 1945, aos 10 anos de idade, Elvis participou de um concurso de novos talentos na "Feira Mississippi-Alabama" que acontecia em Tupelo - e conquistou o segundo lugar, ganhando 5 dólares, mais ingressos para todas as diversões. Elvis, na ocasião, cantou "Old Shep", canção que retrata o desespero de um menino pela perda de seu cão.

Em seu aniversário em Janeiro de 1946, Elvis desejava muito ganhar uma bicicleta, mas seus pais infelizmente não tinham recursos para comprá-la. Sua mãe então o convenceu a ganhar um violão ao invés da bicicleta - e este violão passou a ser sua companhia constante, inclusive na escola.

Elvis e a família se mudaram para Memphis, no Estado do Tennessee no dia 12 de setembro de 1948 em busca de uma vida mais promissora dentro de suas poucas condições. Ainda assim, a Família Presley morou por um bom tempo em condições precárias.

No período de 1948 até 1954, Elvis trabalhou em várias atividades - entre elas, lanterninha de cinema e motorista de caminhão - para ajudar no sustento da pequena família. Seus pais estavam sempre em constante atividade de trabalho, mas os recursos eram realmente escassos.

Apesar de tantas adversidades, todo o zelo e dedicação de sua mãe foram recompensados: Elvis concluiu seus estudos em 1953 pela Humes High School em Memphis.

Nas horas vagas, Elvis cantava e tocava seu violão e, eventualmente, arriscava alguns acordes ao piano. Elvis comprava suas roupas em lojas na Beale Street e já nestes anos, era conhecido como um jovem "diferente" dos de sua época, pelo estilo único que ele adotara: roupas excêntricas (como as dos negros) e cabelos mais longos para os padrões da época e costeletas.

Suas influências musicais foram tão mistas quanto era o seu talento: Elvis era muito ligado ao "pop? da época (particularmente Dean Martin); à música country; à música gospel ouvida na igreja; ao R&B capturado na histórica "Beale Street" em Memphis - além de seu grande apreço pela música erudita - particularmente a ópera. Um de seus maiores ídolos era o tenor Mario Lanza e, naturalmente, cantores gospel como J.D. Sumner, seu preferido. Por coincidência anos mais tarde, JD Sumner e seu quarteto "The Stamps Quartet" viria a trabalhar com Elvis - e J.D. tornar-se-ia um de seus maiores amigos e confidentes, por quem Elvis teria um carinho e respeito como se J.D. fosse seu segundo pai.

Anos 50

Em 18 de Julho de 1953, Elvis pagou US$4,00 para gravar de presente para sua mãe, um acetato com duas canções: "My Happiness" e "That?s When Your Heartaches Begin" na "Memphis Recording Service", mais conhecida anos depois como "Sun Records".

Posteriormente em 4 de Janeiro, 5 de Junho e 26 de Junho de 1954, Elvis grava algumas outras canções de forma experimental.

Entretanto, em Julho de 1954, Elvis entra em estúdio e grava outras canções iniciando assim sua carreira profissional.

No dia 5 de Julho de 1954 - considerado o "marco zero" do rock - Elvis ensaiava algumas músicas, até que, em um momento de descontração, de forma improvisada, começou a cantar "That's All Right, Mama", provocando em Sam Phillips (dono da Sun Records) um grande entusiasmo.

Novo "take" foi realizado e nova canção, no gênero, foi concebida: dessa vez, "Blue Moon of Kentucky", com grande aprovação. Ambas integrariam seu primeiro disco, um "compacto simples" (single).

Participaram das sessões, além de Elvis e Sam, o guitarrista Scotty Moore e o baixista Bill Black.

No dia 7 de Julho as duas canções são executadas pela primeira vez em uma rádio de Memphis e o resultado foi um retumbante e absoluto sucesso.

Devido a toda essa repercussão, Elvis é convidado a dar uma entrevista, sua primeira como cantor profissional.

A canção "Blue Moon Of Kentucky" chega ao primeiro lugar na parada country da Billboard na cidade de Memphis e "That's All Right" atinge o quarto lugar da mesma parada.

Em 17 de Julho ele realiza o seu primeiro espetáculo na cidade de Memphis.

Em 8 de Outubro, Elvis faz sua primeira apresentação fora do estado do Tennessee - em Atlanta, na Geórgia.

No dia 16 do mesmo mês Elvis tem provavelmente o seu primeiro grande momento na carreira: ele realiza na cidade de Shreveport no estado da Louisiana um espetáculo que era transmitido pela rádio local de enorme sucesso na época chamado "Louisiana Hayride", onde ele foi recebido de forma bastante entusiasmada pela platéia. O ano de 1955 pode ser avaliado como a gênese do sucesso nacional de Elvis.

Juntamente com o sucesso, vieram inúmeras polêmicas em torno de suas apresentações.

Por outro lado, suas performances em programas de rádio e algumas apresentações em programas locais de televisão obtém audiência e destaques marcantes.

Suas canções começam a fazer sucesso nacionalmente:

- "Mystery Train" chega ao 11º lugar na parada nacional country da Billboard;

- "Baby, Let's Play House" atinge o 5º posto na mesma parada, até culminar com a primeira canção "número 1" nos charts nacionais: "I Forgot To Remember To Forget".

Neste mesmo ano ele conheceria aquele que viria a ser seu empresário por toda a vida, o "Coronel" Tom Parker.

Apesar de inúmeros rumores (dos quais Elvis tinha ciência), apenas nos anos 80 revelou-se publicamente, seu verdadeiro nome e nacionalidade: Andreas Cornelius van Kuijk, oriundo da Holanda e nascido em 1909.

A biografia de Parker é muito polêmica, controvertida e ambivalente, assim como sua atuação empresarial.

Em Novembro de 1955, após expressiva repercussão, o contrato de Elvis com a Sun Records (e todo o acervo produzido até aquela data) foi vendido para a gravadora RCA Victor por US$ 40.000.

Em 1956, Elvis tornou-se um fenômeno internacional sem limites de território, raça ou credo. Seu estilo e sons que sintetizavam suas diversas influências, "ameaçavam" a sociedade conservadora e repressiva bem como desafiavam os preconceitos existentes naquela época.

Elvis literalmente fundou uma nova era e estética em música e cultura populares, consideradas, hoje, "cults" e primordiais, mundialmente.

Suas canções e álbuns transformaram-se em enormes sucessos e alavancaram vendas recordes em todo o mundo.
Elvis tornou-se o primeiro "megastar" da música popular, inclusive em termos de marketing.

Muitos estudiosos da música defendem a tese de que a "revolução" chamada "Rock?n Roll" (da qual Elvis foi símbolo maior), teria sido a última grande revolução cultural do século XX - uma vez que, as bandas, cantores e compositores que surgiram nas décadas seguintes, foram influenciados de alguma maneira, direta ou indiretamente por Elvis Presley.
O preço do pioneirismo transformador, entretanto, é altíssimo. Elvis foi implacavelmente perseguido pelos múltiplos segmentos reacionários norte-americanos e por todas as etnias.

Os brancos (preconceituosos burgueses representantes da classe dominante) achavam-no vulgar, enquanto representante de uma estética popular, cuja interface negra - o rock, "filho" também do R&B - era uma música de negros e para negros e, por isso, considerada "menor" por aquele grupo dominante.

Já os negros, achavam que por ser uma música de origem negra, nenhum branco teria direito de "representá-la e divulgá-la", pois consideravam injusto que fosse concedido a um branco, o mérito que sempre lhes fora negado!

Elvis, em verdade, foi perseguido e tornou-se vítima de muitos preconceitos por ir de encontro a um sistema estabelecido e também por ter origens humildes, um "caipira sulista", fato pelo qual ele sempre foi discriminado.

Mas Elvis superou as adversidades e tornou-se o "Rei do Rock" - lembram os estudiosos de sua obra - embora segundo os mesmos, este tenha sido o gênero que (curiosamente) Elvis menos interpretou quantitativamente.

Suas apresentações televisivas quebraram todos os recordes de audiência, além das inevitáveis polêmicas geradas por suas performances sensuais e explosivas.

Um fato bastante propalado e que evidencia esse momento são as famosas censuras em torno de suas apresentações na TV, fato comprovado por aquelas aonde ele foi filmado da cintura para cima: em 1956 no programa "The Steve Allen Show" e outra em 1957 no programa "The Ed Sullivan Show". Em 13 de Março de 1956, a RCA lançou "Elvis Presley" - o primeiro álbum de Elvis.

Em pouquíssimo tempo este álbum alcançou a primeira posição nos charts da Billboard e assim permaneceu por 10 semanas consecutivas. Com este álbum Elvis atingiu a marca de vendagens superior à US$1.000.000 gerando assim seu primeiro "Disco de Ouro".

Em 1º de Abril de 1956 Elvis grava uma performance em cores, da canção "Blue Suede Shoes", cena esta que fazia parte de um teste feito pela 20th Century Fox para o filme "Love Me Tender". Estas cenas não foram divulgadas na época e permaneceram nos arquivos da "Fox" até finais da década de 80. Essa talvez tenha sido sua primeira performance em cores (afinal, naquela época a transmissão em cores estava em seu início). No dia 06 deste mesmo mês, Elvis assina contrato de 7 anos com o produtor Hal Wallis e a Paramount Studios/20th Century Fox.

Os filmes "Love Me Tender", "Loving You", "Jailhouse Rock" e "King Creole" foram grande sucesso de público e, principalmente, os dois últimos, também tiveram seus méritos reconhecidos pela crítica especializada.

No mês de Outubro de 1956, Elvis realiza um espetáculo na cidade de Dallas no estádio "Cotton Bowl" para um público estimado de 27 mil pessoas, algo incomum para um artista solo naquela época.

Em Janeiro de 1957, em sua última apresentação no programa de Ed Sullivan, Elvis provocou uma enorme celeuma, quando - contra a vontade do apresentador - cantou a música gospel preferida de sua mãe, "Peace In The Valley". A repercussão, no entanto, foi imediata e positiva, levando-o à gravação de seu primeiro disco gospel, um EP (compacto duplo com quatro músicas).

Em Março de 1957, Elvis realiza um de seus grandes sonhos: comprou a mansão Graceland, em Memphis TN - aonde viveria até o final de sua vida. Muito embora tenha passado temporadas de sua carreira fora de Memphis por várias vezes, uma vez que possuía propriedades na Califórnia, para Elvis o único lugar que significava "casa" era Graceland - sua eterna morada.

Em Abril de 1957, Elvis se apresentou no Canadá - seus únicos shows fora dos EUA - em um total de cinco espetáculos que abalaram o país vizinho.

No final de 1957, um show realizado no Pan Pacific de Los Angeles foi considerado um dos maiores momentos da carreira de Elvis, devido a sua sensual e arrebatadora apresentação, que foi considerada escandalosa e provocativa pelos puritanos da época.

Em 24 de Março de 1958, Elvis foi para o exército, uma convocação real, facilmente descartável, porém aproveitada comercialmente por seu empresário para expandir sua faixa de público. Transferido, permaneceu na Alemanha de Outubro de 1958 até Março de 1960.

Em 14 de Agosto de 1958, o falecimento precoce de sua mãe aos 46 anos de idade, viria a ser considerado o marco mais dramático de sua vida. Elvis jamais voltaria a ser o mesmo no quesito pessoal. Ironicamente, nesse momento, Elvis é o maior ídolo mundial de todos os tempos.

Em Novembro de 1959, Elvis conhece Priscilla Beaulieu filha do Capitão Joseph Beaulieu, que havia sido transferido para a base de Weisbaden na Alemanha. Os dois se conheceram através de um amigo em comum de ambos. Priscilla na época tinha 14 anos e meio e Elvis quase 25 anos. Foi amor à primeira vista: Elvis viu-se completamente apaixonado por uma menina cuja maturidade lhe surpreendera. Para Elvis, Priscilla possuía tudo que idealizara em uma mulher. Priscilla por sua vez soube cativar e dar a alegria de volta a Elvis - que ainda se encontrava inconformado com a partida da mãe Gladys. Com Priscilla, Elvis manteve um intenso relacionamento até Março de 1960, quando então Elvis daria baixa em seu serviço ao Exército americano, retornando aos EUA. Mas o relacionamento dos dois não terminaria aí - os contatos telefônicos, cartas e as duas visitas de Priscilla aos EUA precederam à sua definitiva mudança para Graceland em 1962.

Anos 60

Em 1º de Março de 1960, Elvis partiu da Alemanha rumo aos EUA e no dia 8 concedeu uma conferência de imprensa no escritório do pai Vernon, em Graceland.

Ainda em Março, Elvis "surpreendeu" o mundo ao aceitar o convite para participar do programa de Frank Sinatra, "The Frank Sinatra Show - The Timex Special". Na verdade, Elvis e Frank nunca haviam tido contato algum nem tão pouco pontos em comum. Frank também nunca havia sido um "entusiasta" ou incentivador da carreira de Elvis. Mesmo assim, Elvis aceitou o convite de Frank Sinatra, realizando uma de suas melhores performances na TV. Esta edição do programa ficou conhecida como "Frank Sinatra?s Welcome Home, Elvis". Este show selou, a partir de então, uma relação de cordialidade com seu anfitrião, sua filha Nancy Sinatra e com Sammy Davis, Jr. que perduraria ao longo de sua vida.

O programa bateu todos os recordes de audiência do ano, inserindo Elvis em uma nova faixa de público.

Em Julho de 1960, o viúvo Vernon se casa com Dee Stanley, que conhecera na Alemanha enquanto a mesma também estava lá acompanhando o marido militar a serviço, juntamente com seus três pequenos filhos: David, Billy e Rick.

Dee se separa do marido, inicia um romance com Vernon e após o retorno dos Presleys para os EUA, Vernon decide trazer Dee e os filhos para morar em Graceland por algum tempo até se mudarem para a própria residência deles, nos arredores de Graceland. Todo este episódio foi motivo para um grande entrevero entre pai e filho, já que Elvis considerava ainda recente o falecimento da mãe e uma falta de respeito por parte do pai, que se casasse novamente em tão pouco tempo assim. Elvis preservava Graceland como sendo a maior memória que tinha de seus últimos tempos com sua mãe, já que a mansão havia sido decorada por ela. Era difícil para Elvis aceitar outra mulher lá dentro tentando "preencher" o espaço que sua mãe deixara. Apesar de ter recebido os filhos de Dee muito bem e sem reservas de nenhum tipo (mais tarde todos os três viriam a trabalhar em sua equipe de segurança), Elvis não tinha bons sentimentos em relação às intenções verdadeiras de Dee com relação ao seu pai. E o tempo viria a mostrar que Elvis não estava errado.

No cinema, Elvis contou com a sensível direção do veterano Don Siegel no filme "Flaming Star", seu 6º filme. Um novo reconhecimento da crítica aclamado como um de seus mais bem sucedidos filmes em qualidade, ainda que tenha, curiosamente, desapontado seu público, exigente de películas mais musicais e menos dramáticas. Ainda em 1960, Elvis novamente surpreende e lança um álbum gospel - contrariando o seu empresário e os proprietários da gravadora - que não viam com bons olhos um trabalho nesse gênero musical. Entretanto, seguindo seu instinto e de certa forma querendo homenagear sua mãe, ele participa de toda a parte de produção e no final do ano o álbum é lançado tornando-se um grande sucesso de público e crítica.

Em 1961, Elvis realizou shows em Memphis e no Hawaii com grande sucesso de crítica e público. No mesmo ano, Elvis foi homenageado com o "Dia Elvis Presley", tanto na cidade de Memphis como no estado do Tennessee. Elvis provava que sua ida ao Exército e o fim da década de 50 não abalara seu sucesso e que alguns de seus álbuns na década de 60 tornariam-se clássicos, sendo avaliados como alguns dos melhores de sua carreira.

No período de 1960 até 1965, os seus filmes são um grande sucesso de público no mundo inteiro. Alguns críticos mais generosos, ainda que implacáveis acerca da qualidade duvidosa das películas, clamavam por melhores oportunidades e personagens para Elvis Presley. Ainda assim, sua versatilidade esteve presente e atuou em vários gêneros, sendo elogiado por algumas de suas performances, mesmo os roteiros não sendo avaliados como satisfatórios. Elvis conseguia fazer a sua parte com méritos, mesmo não possuindo material de qualidade - entre os gêneros apresentados em seus filmes podem ser destacados, "musical", "faroeste", "drama" e "comédia".

Os maiores e melhores destaques nesse período foram, Flaming Star (1960), Wild In The Country (1961), Follow That Dream (1962), Kid Galahad (1962), Fun in Acapulco (1963), Viva Las Vegas (1964), Roustabout (1964).

Paralelo a isso, a vida pessoal de Elvis começa a sofrer algumas mudanças: não bastasse o súbito casamento de seu pai em 1960 e a chegada dos três pequenos enteados na família, em 1962, Elvis - com a ajuda do pai Vernon - convence o Capitão Beaulieu a deixar Priscilla, então com 17 anos, a viver em Memphis, sob a custódia de Vernon e Dee, prometendo então cuidarem de Priscilla e da conclusão de seus estudos. Embora tenha concluído os estudos como prometido, Priscilla jamais ficou sob a guarda de Vernon e Dee, como seu pai acordara com Vernon. Desde o início, Priscilla foi morar em Graceland com Elvis e precisou se adaptar aos seus hábitos noturnos - que preferia dormir durante o dia e ficar acordado ao longo da noite por se sentir melhor assim.

Durante as filmagens de "Viva Las Vegas", em 1963, os protagonistas, Elvis e Ann-Margret, sueca de beleza estonteante, apaixonaram-se intensamente, o que certamente contribuiu para os ótimos resultados do produto final. E muita especulação na mídia... Uma furiosa Priscilla soube dos rumores de que Elvis chegara a pensar em terminar tudo com ela para ficar com Ann-Margret. Teria sido um grande escândalo para a vida e carreira de Elvis porque a existência de Priscilla "escondida" em Graceland teria vindo à tona certamente. Dizem que de algum jeito, o Coronel teve "participação" para demover Elvis da idéia de ficar com Ann Margret, por motivos óbvios já relatados acima. Como gota d?água, aconteceu o fato de Ann dizer aos jornalistas que se casaria com Elvis muito em breve. Desta feita, Elvis recuou e o romance entre os dois "esfriou". Priscilla, portanto, "sobreviveu".

Apesar dos "bastidores quentes", o filme "Viva Las Vegas" é considerado um de seus melhores momentos no cinema, sendo muito elogiado até os dias atuais.

A partir de 1965, seus filmes perderam muito em termos de qualidade de roteiro, configurando período de grande alienação e tédio pessoal para Elvis.

No dia 27 de agosto de 1965, Elvis e a banda inglesa The Beatles tiveram um encontro na casa de Elvis em Los Angeles, a pedido dos Beatles e promovido pelo Cel.Parker. Testemunhas do encontro dizem que ouve uma breve "jam-session", contudo, não se tem conhecimento de qualquer produto áudio/visual relevante. Algumas poucas fotos alusivas a este encontro são fotos em que os Beatles aparecem saindo da casa de Elvis.

Em Dezembro de 1966, Elvis finalmente pede Priscilla em casamento. Afinal de contas, ele já estava à beira de seus 32 anos e era hora de ter sua própria família. E Priscilla esperava ansiosamente por isso há muitos anos.

No período de 66/67, Elvis realiza várias sessões caseiras, onde ele interpreta várias canções de vários estilos e épocas distintas, mostrando um talento intuitivo e natural. No entanto, essas gravações só caíram no conhecimento do público, em sua grande maioria, no final da década de 90.

Apesar da fase de pouca qualidade de seus filmes, o ano de 1967 será lembrado pelo lançamento do disco que seria considerado um "divisor de águas" na carreira de Elvis, o gospel "How Great Thou Art", decorrente de radical mudança em sua produção musical. O álbum surpreendeu o mundo e gradativamente, transformou-se em um grande sucesso de crítica e público, sendo posteriormente, agraciado com um honroso Grammy, o Oscar da música.

Com boas produções e peças esmeradas, Elvis Presley dera indícios de sua vitalidade e criatividade, ainda em franca ascensão e plena maturidade musical. Fundou-se, portanto, um tempo de bons arranjos e melhor seleção musical. Ocorreram profundas mudanças em seus próprios tons vocais (tessitura vocal) e, conseqüentemente, em seus registros. Gradativamente, a própria extensão seria privilegiada, com comprometimento da afinação.

Em 1º de Maio deste mesmo ano, Elvis Presley aos 32 anos finalmente casa-se com Priscilla Ann Beaulieu, 21 anos. O matrimônio foi realizado na cidade de Las Vegas no Alladin Hotel e todos os preparativos foram feitos de forma bastante sigilosa e sob a batuta do Coronel Parker.

Nesse período, entre 1967 e 1968, foram lançados alguns compactos muito elogiados, muito criativos e interessantes. Este material veio das sessões de gravação ocorridas ainda em 1966, mais precisamente em Maio e Junho, onde o repertório foi sendo aprimorado qualitativamente, gerando além do álbum "How Great Thou Art", outras canções de grande nível como "Indescribably Blue", "I'll Remember You" e "If Every Day Was Like Christmas".

O mesmo pode ser percebido em 1967 em canções como "Suppose", "Guitar Man", "Big Boss Man", "Singing Tree", "Mine", "You'll Never Walk Alone".
Em 1º de Fevereiro de 1968, exatamente nove meses após o casamento, nasce a única filha de Elvis e Priscilla, a menina Lisa Marie. Firmou-se desde o início um forte vínculo entre pai e filha que permaneceria intacto até a morte de Elvis - vínculo este somente comparável ao que Elvis um dia tivera com sua própria mãe Gladys.

Entre Junho e Julho de 1968, Elvis viveu em função da produção do especial que viria a ser conhecido como "68? Comeback Special".

Em Dezembro de 1968, Elvis Presley apresentou-se nacionalmente para a TV norte-americana, trazendo o tão esperado "Elvis NBC TV Special".

Um mega-programa que, a posteriori, seria considerado o primeiro dentro dos moldes "Acústico" na história da música. Em performance considerada até os dias atuais como excepcional, Presley foi aclamado pelo público e crítica especializada, que dizia ser este "o retorno de um Elvis ousado e reinventado".

Interessante destacar aqui que o Coronel Tom Parker, "lendário" empresário do artista, vislumbrara um programa tradicional e conservador, já que se aproximava a época de festejos de Natal. No entanto, devido a grande empatia estabelecida entre Presley e o então jovem produtor Steve Binder, realizou-se um espetáculo contundente e marcante.

Neste especial que foi ao ar poucos meses após a morte de Martin Luther King (assassinado em abril na cidade de Memphis) - no auge do racismo - Elvis apareceu ao lado do grupo vocal "The Blossoms", composto por três mulheres negras (Fanita James, Jean King, Darlene Love) no horário nobre, fato que causou uma grande polêmica.

Um trabalho reconhecidamente antológico e pioneiro.

Foram apresentados alguns clássicos dos anos 50, algumas músicas da década de 60 e, ainda outras, inéditas. "Tiger Man", "Baby, What You Want Me To Do", "Up Above My Head", "Nothingville", "If I Can Dream", "Memories" e "Saved", estiveram no roteiro de um programa dividido em sets; entre "jam sessions" eletrizantes e performances clássicas em cenários monumentais e arranjos grandiosos - elaborados pela competente orquestra da NBC.

Elvis Presley atingira maturidade artística.

No ano de 1969, Elvis retornou aos palcos, após oito anos longe do contato direto com o público. O lugar escolhido foi Las Vegas, onde passou a realizar pelo menos duas temporadas anuais, aclamadas pela crítica e público.

Entre 1969 e 1977, Elvis faria em torno de 1.100 shows ao todo. Vegas foi para Elvis, na verdade, sua grande "escola" em termos de performance em palcos.

A partir de 1969, Elvis Presley amadureceria sua performance e se tornaria um cantor experiente e com domínio cênico, além de ser avaliado como fantástico, exuberante e no auge pela crítica da época. O ano de 1969 também seria marcado por sessões de gravação muito produtivas e pela escolha de um repertório e equipe musical de grande qualidade. A resposta foi imediata: "Suspicious Minds", "In the Ghetto" e "Don't Cry Daddy" tornaram-se "big hits" em todo o mundo.

Por razões contratuais, Elvis concluiu seus últimos filmes, que pouco interesse despertou - muito menos a um Elvis "reinventado" em criatividade, vigor e emoção!

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