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Morte de Izael Caldeira cala voz reverente às tradições do grupo Demônios da Garoa

Morte de Izael Caldeira cala voz reverente às tradições do grupo Demônios da Garoa

Foto: Facebook Demônios da Garoa

Morte de Izael Caldeira cala voz reverente às tradições do grupo Demônios da Garoa

17/02/2021 - 11:33

 Assim como Adoniran Barbosa (1910 – 1982), compositor cuja obra é a matéria-prima do repertório do conjunto Demônios da Garoa, o cantor e músico paulista Izael Caldeira da Silva (27 de janeiro de 1942 – 15 de fevereiro de 2021) não nasceu na cidade de São Paulo (SP).

Adoniran veio ao mundo em Valinhos (SP). Izael era natural de Araçatuba (SP), município do interior do estado de São Paulo. Contudo, ambos – compositor e intérprete – fizeram nome a partir das vivências em Sampa.

Desde 1999, Izael Caldeira era integrante do conjunto Demônios da Garoa em união desfeita somente na noite de segunda-feira, 15 de fevereiro, com a morte do artista em São Paulo, aos 79 anos, vítima de covid-19. No grupo, Izael tocava timba – instrumento de percussão – e, claro, cantava, pois a marca do longevo conjunto é sobretudo vocal.

Formado em 1943 no bairro paulistano da Mooca, no rastro do sucesso de grupos vocais como Anjos do Inferno, o grupo Demônios da Garoa se tornou a mais perfeita tradução do samba de Sampa, sobretudo pela associação eterna com o cancioneiro de Adorniran Barbosa, mas também pela harmonia das vozes.

Nunca houve espaço para vocalistas sobressalentes no Demônios da Garoa. A força do grupo sempre residiu na interação harmoniosa das vozes do conjunto, para o qual Izael Caldeira contribuiu nos últimos 20 anos.

Os Demônios da Garoa são relevantes na história do samba paulista inclusive por terem posto na roda o tom italianado da fala dos paulistanos criados na Mooca e adjacências. Somado ao inovador “quais quais quais quais quais quais” cantado pelo grupo na introdução de sambas como Trem das onze (1964), o linguajar popular do conjunto pavimentou o caminho de sucesso seguido pelo grupo, sobretudo nos anos 1950, década do apogeu artístico dos Demônios da Garoa.

Com reverência a esse legado, Izael Caldeira soube respeitar as tradições do conjunto de atuais 78 anos, se tornando membro legítimo da dinastia dos Demônios da Garoa.

Fonte: G1 POP & ARTE

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