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Onda de shows online evidencia 'o lado bom da solidão'

19/03/2020 - 18:56

 ♪ ANÁLISE – Houve tempo recente em que pestes e quarentenas eram coisas literalmente do século passado. Havia passe livre no universo pop e, mesmo assim, havia o prazer de, por opção, assistir a um show em casa. Esse prazer marcou, nos anos 2000, o apogeu da era dos DVDs, mídia audiovisual que provocou, sobretudo no Brasil, a mania de filmar shows que pudessem ser vistos no conforto do lar, na hora mais conveniente para o espectador-fã.

O boom do DVD passou com a falência das mídias físicas. Mas o mundo girou e eis que, por conta das quarentenas adotadas nos quatro cantos do mundo para conter a pandemia do coronavírus, o hábito de assistir a um show em casa novamente virou viral.

Desde a semana passada, quando autoridades das grandes cidades do Brasil e do mundo passaram a recomendar a quarentena para evitar a contaminação pelo covid-19, artistas estão fazendo lives diárias.

No Brasil, Zélia Duncan foi a pioneira ao decidir apresentar o show Tudo é um pela internet na sexta-feira, 13 de março, quando soube que as portas do Teatro Rival Refit teriam que ser fechadas ao público por decreto do governador do Rio de Janeiro. A mesma Zélia agenda para as 19h30m de quinta-feira, 19 de março, apresentação online do show de voz-e-violão sintomaticamente intitulado O lado bom da solidão (o show é antigo e já tinha esse nome).

Na mesma quinta-feira, na cidade de São Paulo (SP), Kiko Dinucci também pega o violão para apresentar na Casa de Francisca, pela web, o show Rastilho, baseado no excepcional segundo álbum solo do artista. Já Teresa Cristina faz live às 18h30m dessa quarta-feira, 18, com repertório dedicado à obra de Paulinho da Viola em show que será transmitido pelo Twitter.

Os exemplos são muitos, quase incontáveis. Inspirado no festival português Eu fico em casa, o festival brasileiro Lá de casa acontece via Instagram de sexta-feira, 22 de março, a domingo, 24, com lives de 30 minutos de 42 artistas. O elenco do festival nacional destaca a dupla Anavitória.

Outro festival, Música em casa, acontecerá de 20 a 29 de março com programação que inclui shows de Sandy, Jão, Melim e Michel Teló, entre outros artistas.

Claro que nada supera o prazer de ver ao vivo o show de um artista que se admira. Até porque, uma vez no palco, todo artista se alimenta da interação com o público. É quando um silêncio respeitoso pode significar tanto quanto um aplauso entusiástico.

Só que o mundo está em necessário compasso de espera. E espera-se que tudo volte ao normal oq quanto antes, assim que houver segurança para todos. Enquanto a quarentena é a opção necessária para a preservação da saúde popular, a onda de lives dos artistas traz à tona “o lado bom da solidão” com mix de música e solidariedade humana.

Fonte: Mauro Ferreira para G1

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