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Desde Totó Paes

Desde Totó Paes

03/03/2017 - 14:24

     Continua o drama da rodovia 163. Totó Paes governou Mato Grosso entre 1903-1906 e já falava nessa rodovia Cuiabá-Santarém. Tem mais de um século essa novela. Um pouco da história recente.

     Sua construção começou em 1971 no governo militar. Um batalhão do Exercito fazendo um trabalho do sul para o norte e outro de lá para cá. Vão se encontrar em 1976. Alimentos eram jogados por avião para os topógrafos. Ela foi concluída em cinco anos.

     Ela servia a dois propósitos do regime militar. Um, ocupar a Amazônia pelo sul. Um deserto de gentes no norte de MT e o sul do Pará. Temiam que alguma força, sabe-se lá de onde, ocupasse uma área que não havia ninguém.

     A outra intenção do regime era acabar com o incômodo e crescente movimento de camponeses no sul do país por uma reforma agraria. Momento tenso no tabuleiro politico mundial com a Guerra Fria. O governo militar trás agricultores de lá, desarmando a bomba politica e social, para um vazio demográfico que era o norte de MT (mais Rondônia). A rodovia 163 seria o eixo onde se engancharia a nova população do estado.

     Os militares fizeram ainda o asfaltamento dessa rodovia até Sinop. De lá para cá, esse asfalto chegou à divisa com o Pará e agora entrou naquele estado, mas faltam uns cem quilômetros para ser concluído.

     Se teve muita promessa no meio tempo. Lembro do Pimenta da Veiga, Ministro das Comunicações do governo FHC, subir em caravana pela rodovia. Dizia que um pedaço dos recursos da venda das teles seria para afastá-la complemente. Mais uma promessa.

     Será que se juntassem as bancadas de deputados federais de MT e do Pará, mais os senadores, os dois governadores e mais o Blairo como Ministro da Agricultura e o Nilson Leitão como presidente de Frente Parlamentar da Agricultura não desamarrariam o nó da 163 em Brasília?

     Enquanto isso, MT perde recursos. Uma carreta de soja de uma cidade do Nortão para portos do Pará leva três dias. A mesma carreta para Santos ou Paranaguá leva sete dias. O frete pelo Pará diminui em 30 dólares para o produtor do estado. MT pode estar perdendo algo como dois bilhões de reais por ano pelo não uso completo da rodovia 163 para o Pará.

     A ditadura militar tem que ser sempre condenada, mas aquele regime fez mais por essa rodovia do que os governos civis juntos desde a redemocratização. Aliás, o regime militar foi o que fez mais asfaltos em MT. Asfaltos para Roo-Brasília e Campo Grande, asfaltaram ainda a BR-70 para Barra do Garça, a Cuiabá-Porto Velho e para o Nortão.

     Foi tanto recurso (também para telecomunicação e energia) que dá até para aventar a hipótese que deve ter algum dinheiro do exterior para ajudar a segurar os movimentos agrários no Sul e Sudeste. Bolívia e Cuba irem para a esquerda é uma coisa, o Brasil seria outra.

Fonte: Alfredo da Mota Menezes e-mail: pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com

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