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Alice Caymmi manda recados em 'Imaculada', álbum autoral que expõe dores e fragilidades da artista

Alice Caymmi manda recados em 'Imaculada', álbum autoral que expõe dores e fragilidades da artista

Divulgação

Alice Caymmi manda recados em 'Imaculada', álbum autoral que expõe dores e fragilidades da artista

15/10/2021 - 10:09

Quinto álbum de Alice Caymmi, Imaculada está longe de ser o melhor disco da cantora e compositora carioca porque expõe as fragilidades da obra autoral da artista. Mas possivelmente seja o álbum mais pessoal e o mais sincero de Alice.

Dona de voz opulenta, a cantora já contabiliza dois álbuns antológicos na discografia iniciada há nove anos com o álbum Alice Caymmi (2012). Só que são álbuns de méritos repartidos.

Disco que projetou a artista há sete anos, Rainha dos raios (2014) resultou grandioso e até impactante pela produção musical e pelos arranjos de Diogo Strausz.

Já Electra (2019) foi disco de voz e piano – o de Itamar Assiere – que reiterou a grandiosidade do canto de Alice em repertório alinhavado com a fundamental colaboração do DJ Zé Pedro, mentor desse disco dramático, calcado no cancioneiro da MPB.

Entre um e outro, houve Alice (2018), disco pop de pegada R&B, produzido pela cantora com Barbara Ohana com som que ecoou a obra de Pabllo Vittar, convidada (não por acaso) da gravação de música Eu te avisei (Alice Caymmi, Barbara Ohana e Pablo Bispo).

Álbum lançado nesta sexta-feira, 15 de outubro, Imaculada se conecta com Alice pelo viés pop com a diferença de que, na produção musical do disco, a atual parceira da artista é Vivian Kuczynski, convidada e coautora de uma das dez músicas do repertório essencialmente autoral, Todas as noites (Alice Caymmi e Vivian Kuczynski), cuja letra é recado para ex-amor egoísta que quer voltar.

Do ponto de vista da composição do repertório, Imaculada se conecta com o primeiro jovial álbum da cantora, o já mencionado Alice Caymmi (2012), por expor a artista como compositora, só que desta vez sob ambiência pop eletrônica.

O álbum Imaculada expõe limites da autora na criação de cancioneiro através do qual Alice manda recados. Ao lançar a música Serpente (Alice Caymmi, Maffalda, Rodrigo Gorky e Zebu) em 9 de setembro, como primeiro single do álbum Imaculada, a cantora já deu a pista de que o disco foi feito (também) para dar o bote nos opressores que cerceiam a liberdade da artista ser quem é e de ter o peso que quiser, entre outras pressões.

Alice Caymmi busca a superação em Imaculada. “Não vai ser um vírus que vai me silenciar / Nem tirar de mim o meu desejo de amar / Não vai ser um vírus que vai me desanimar / Nem tirar o meu desejo de cantar”, avisa a artista na música com que abre o disco, Dentro da minha cabeça (Alice Caymmi).

“Eu te amo dentro da minha cabeça / Mesmo que você me esqueça”, aliás, são os primeiros versos ouvidos, ainda a capella, quando se segue a sequência oficial do álbum Imaculada. O disco segue nessa toada, com a cantora marcando posição, sozinha ou com colaboradores.

Faixa de brasilidade sintética, Sentimentos é parceria de Alice com o DJ e produtor musical Mulú. Já Ninfomaníaca junta as vozes de Alice, Urias e Number Teddie (ascendente artista amazonense), parceiros de Alice na composição também assinada por Maffalda. A letra de Ninfomaníaca versa sobre dores e medos provocados por amor e sexo, temas recorrentes em Imaculada, disco que segue a jornada da artista em busca de liberdade.

“Não sinto mais aqueles medos”, confessa Alice em verso da balada Recíproco (Alice Caymmi, Junior Fernandes e Zebu). E por falar em balada, Confidente (Alice Caymmi e Zebu) começa quase interiorizada, conduzida por toque de piano, mas ganha aura quase épica com o avanço da faixa, sobressaindo no disco.

Medusa (Alice Caymmi) também flui bem em movimento sensual, com evocações do universo musical árabe.

Aliás, em se tratando de fluência pop, cabe destacar A lenda da luz da lua, única regravação do repertório do álbum Imaculada. Trata-se de versão em português – escrita pelos integrantes da banda paulista Gaijin Sentai – da música japonesa Moonlight densetsu (Tetsuya Komoro e Kanako Oda, 1999).

A faixa A lenda da luz da lua poderia estar em disco de Pabllo Vittar e, nesse sentido, estimula a visão de quem enxerga Alice Caymmi como cantora indecisa entre seguir em segurança pela trilha da MPB da tia Nana Caymmi – como fez no lapidar álbum Electra – e arriscar acenos para o pop do mainstream habitado por estrelas como Vittar.

Só que, a bem da verdade, neste atual quinto álbum, Alice Caymmi tem o mérito de ser ela mesma. Pena que a grande cantora fique oculta na maioria das 10 faixas, ainda que na música-título Imaculada (Alice Caymmi) os dotes vocais da artista apareçam (um pouco) mais no canto que persegue tom sacro em atmosfera reforçada pelo coro da boa faixa.

“A dor é grande, o peito é pequeno”, expia Alice Caymmi em verso dessa música-título, sinalizando que a jornada existencial de superação – mote do álbum Imaculada – talvez ainda esteja longe do fim.

Fonte: Pop & Arte G1

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