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FEITO REVOADA

FEITO REVOADA

12/07/2021 - 13:56

FEITO REVOADA
 

Você já observou uma daquelas árvores comuns, altas, quando estão repletas de pássaros em seus galhos?

As aves pousadas preenchem os espaços, e mesmo os ramos mais secos parecem ganhar vida com a visita animada dos pequenos seres;

A árvore ganha movimentos que não possuía. Ganha sons que não era capaz de emitir. A vida se soma à vida.

A árvore nunca foi tão exuberante.

Mas, sem avisar, sem aparente razão, subitamente todos eles resolvem bater em revoada ao mesmo tempo.

Outro belíssimo espetáculo de se ver.

Coordenados, sem medo, obedecendo a um comando interno que lhes faz desafiar os ares a todo instante, eles voam...

Eles voam, buscando seus destinos, continuando a desempenhar seu importante papel na Criação.

Mas e a árvore? Normalmente nem mais a notamos.

A árvore permanece, agora, aparentando estar vazia, incompleta.

Faltam os passarinhos, os ruídos, a festa, falta aquela alegria toda em torno da árvore.

* * *

Há épocas da vida que parece que as pessoas começam a partir assim, feito revoada, todas quase ao mesmo tempo.

As redes sociais possibilitam que saibamos desse tipo de notícia instantaneamente.

Lá se foi aquele amigo distante. Agora aquele outro, pai de fulano, mãe de beltrana...

E quando chega a vez dos nossos próximos nos damos conta de que todos teremos que partir um dia.

Sentimo-nos, então, como a árvore que perdeu todos os pássaros que cantavam e brincavam em seus braços.

Sentimo-nos minguados, desfolhados, silenciosos...

É de se compreender a tristeza da árvore.

Necessário lembrar, vez ou outra, que os pássaros não pertencem às árvores, que não fazem parte dela, como o tronco, a galhada ou as folhas.

São visitantes passageiros, que fizeram breve morada ali, em seu aconchego verdejante, antes de seguir suas jornadas pelo espaço sem fim.

Assim, poderíamos perguntar: deve a árvore sofrer com as revoadas frequentes da existência, ou se alegrar com os belos voos de seus novos amigos passarinhos?

A resposta é admirável: ela precisa das duas coisas.

Não há mal algum em sofrer. As almas mais sensíveis sofrem a ausência e a despedida. Choram as lágrimas da gratidão, das boas lembranças e da falta das energias do outro ...

Mas, também porque amam, choram de alegria pela libertação, pela beleza de um voo que é certo para todos, pois é voo de final de uma etapa e início de uma nova. É um voo de renovação.

Curioso é que somos, ao mesmo tempo, árvore e passarinho. E conhecemos a história a partir dos dois pontos de vista.

Bate em nós, vez ou outra, essa melancolia das revoadas, quando o olhar se detém apenas nas árvores esvaziadas que ficaram.

Que os momentos difíceis que temos enfrentado possam nos ensinar algo importante: A nossa vida e tudo o que nela há, é um privilégio. Somos agraciados a todo o instante...

Que possamos valorizar cada momento, cada indivíduo que passa em nossa vida… cada oportunidade...

Façamos isso, todos os dias...

Pense nisso,

mas… pense agora!

 

(*) Pense Nisso baseado na Redação do Momento Espírita - Em 25.6.2021.

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